26 de maio de 2026. Laboratório EMS lança o primeiro concorrente brasileiro ao Ozempic após o fim da patente da Novo Nordisk. O que muda para quem busca tratamento de obesidade no Brasil.
A ANVISA publicou nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, o registro do Ozivy — a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic autorizada para comercialização no Brasil. A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União via Resolução 2.122/2026.
O medicamento foi desenvolvido pelo laboratório EMS, uma das maiores farmacêuticas nacionais, e usa o mesmo princípio ativo presente no Ozempic e no Wegovy, da Novo Nordisk. A diferença está na forma de produção: enquanto os originais são medicamentos biológicos, o Ozivy é uma semaglutida sintética — produzida por síntese química, e não por processos biotecnológicos complexos.
A aprovação levanta uma dúvida legítima: se usam o mesmo princípio ativo, são iguais? Na prática clínica, sim — e não. Entenda:
| Critério | Ozivy (EMS) | Ozempic (Novo Nordisk) |
|---|---|---|
| Princípio ativo | Semaglutida sintética | Semaglutida biológica |
| Mecanismo | GLP-1 (idêntico) | GLP-1 (idêntico) |
| Forma de produção | Síntese química | Processo biotecnológico |
| Indicação atual | Diabetes tipo 2 | Diabetes tipo 2 + obesidade |
| Eficácia esperada | Equivalente | Comprovada em larga escala |
| Preço esperado | Potencialmente menor | R$ 900–1.300/mês |
| Disponibilidade | Ainda sem data | Disponível agora |
| Dados clínicos | Ainda limitados no Brasil | Mais de 50 mi pacientes globais |
A resposta curta é: não tecnicamente, mas na prática é a comparação mais justa.
A regulação brasileira não prevê genéricos para medicamentos biológicos — que é a categoria do Ozempic original. O Ozivy é classificado como "medicamento novo — análogo sintético de produto biológico". Na linguagem popular, sim, é o equivalente a um genérico: mesmo princípio ativo, mesmo mecanismo de ação, produzido por outro laboratório após o fim da exclusividade de patente.
Essa é a indicação formal do Ozivy por enquanto. Se o medicamento chegar às farmácias com preço significativamente mais baixo, pode ampliar muito o acesso ao tratamento com semaglutida para diabéticos que hoje não conseguem pagar pelo Ozempic original.
Aqui é importante ser preciso: o Ozivy foi aprovado para diabetes, não para obesidade. A indicação para emagrecimento (como o Wegovy) exigiria um pedido de registro separado com estudos específicos. Isso provavelmente virá — mas ainda não aconteceu.
Ainda não há data definida. Antes de ser vendido, o Ozivy precisa passar pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), que é o órgão responsável por definir o preço máximo de venda. Só depois disso o laboratório EMS decide quando e como fazer o lançamento comercial.
Na prática: meses, não semanas. Acompanhe o CorpoNext — publicaremos assim que houver atualização.
O Mounjaro (tirzepatida) e a semaglutida são medicamentos diferentes — mecanismo distinto, patente diferente, empresa diferente (Eli Lilly vs Novo Nordisk). A aprovação do Ozivy não afeta diretamente o Mounjaro.
Na verdade, a chegada de uma alternativa mais acessível à semaglutida pode até beneficiar o Mounjaro indiretamente: quem experimentar o Ozivy e quiser resultados superiores pode migrar para a tirzepatida — que em estudos entrega perda de peso 30–40% maior que a semaglutida.
A ANVISA sinalizou que há outros oito pedidos de registro de semaglutida em análise, e nove aguardando início de avaliação. Nos próximos meses, é provável que mais laboratórios recebam aprovação — o que criará competição real de preço pela primeira vez no mercado brasileiro de GLP-1.
Para quem acompanha esse mercado, isso é o início de uma transformação no acesso a medicamentos de emagrecimento no Brasil. Ainda há caminho longo, mas a porta foi aberta hoje.
Veja nosso comparativo completo entre Mounjaro e Ozempic — e descubra qual faz mais sentido para o seu perfil.
Mounjaro vs Ozempic — comparativo completo →Aviso médico: As informações deste site têm caráter educativo. Não substituem consulta, diagnóstico ou prescrição médica. Sempre consulte um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento.